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Suicídio do ministro da Agricultura do Japão derruba popularidade de Abe

O suicídio do ministro da Agricultura do Japão, Toshikatsu Matsuoka, levantou dúvidas no país sobre seu envolvimento em escândalos de corrupção e a falta de explicações por parte do Governo de Shinzo Abe, que hoje viu sua popularidade cair ainda mais.

A controvérsia gerada pelo suicídio de Matsuoka, na segunda-feira, se uniu hoje à descoberta do corpo do ex-diretor de uma agência do Ministério da Agricultura japonês, aparentemente após ter se jogado de seu apartamento no sexto andar.

No sábado, as autoridades revistaram a casa de Shinichi Yamazaki, ex-diretor da Agência Japonesa de Recursos Verdes (J-Green), acusado de envolvimento em um caso de corrupção.

O corpo de Yamazaki, de 76 anos, foi encontrado hoje no estacionamento de seu edifício depois que ele se jogou do sexto andar, segundo a agência "Kyodo".

A imprensa japonesa não relacionou diretamente este suicídio com o de Matsuoka, de 62 anos, mas o ambiente político ficou pesado em Tóquio, onde Abe pediu hoje a "união" de seu Gabinete para enfrentar bem as dificuldades.

O ministro porta-voz, Yasuhisa Shiozaki, leu hoje declarações do premier nas quais afirmou ser "dolorosamente" consciente da morte de Matsuoka, mas pediu ao gabinete a "plena cooperação para trabalhar unido e enfrentar os assuntos de Estado".

A morte de Matsuoka coincidiu com um dos piores níveis de popularidade de Abe, que se situou hoje em 36%, 8 pontos percentuais a menos que na semana anterior e o mais baixo desde que chegou ao poder, no final de setembro, segundo o jornal "Asahi".

O ministro da Agricultura tinha sido acusado de receber doações de até US$ 107 mil durante três anos, até 2005, por parte de 14 construtoras que pleiteavam projetos públicos relativos a seu departamento.

O Governo japonês, no entanto, não quis comentar a relação feita pela imprensa entre o suicídio do ministro e as acusações de corrupção.

Shiozaki rejeitou hoje os pedidos de investigação sobre a morte de Matsuoka. "Não acho que estejamos na posição de dizer nada sobre a vida de alguém".

A imprensa divulgou hoje trechos de duas notas que Matsuoka deixou, juntamente com seis envelopes, dirigidos a vários personagens da vida política japonesa, entre eles Abe, seu consogro e senador, um alto funcionário do Ministério da Agricultura e o ex-secretário do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi.


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